Estas pinturas (2005-2009) são feitas sobre vidro. O vidro é colocado entre quem pinta e o objecto que, em cada ocasião, for o modelo da pintura. Como no perspectógrafo renascentista, o obervador tem de escolher cuidadosamente o seu ponto de vista e estar absolutamente quieto durante o processo de criar a imagem, durante muitas horas. As pinturas são feitas com tinta acrílica. Depois de feita a imagem, é dada sobre o vidro uma última camada de tinta muito espessa. Quando esta camada seca, a pintura é retirada inteira do vidro. Esta autónoma placa de tinta é o que se expõe, colando-se com fita-cola dupla à parede da exposição, à maneira de um poster.

No caso das pinturas feitas a partir de esculturas (2009), os modelos foram feitos maioritariamente em barro, sendo destruidas logo após a realização da pintura. As pinturas são pintadas no mesmo local onde o barro para as peças é retirado da terra: num monte no Alentejo. O barro depois foi utilizado na construção de uma estrutura arquitetónica.

 

 

 

 

 

 

 

Fotografia:
imagens 1 e 3 – Sérgio Correia