Estas pinturas (2010-2012) são feitas com tinta acrílica sobre uma membrana acrílica transparente, que é o seu suporte. É um material semelhante ao das bóias de praia das crianças. Esta película é colocada esticada na vertical entre o observador e a coisa-modelo. Sobre ela, pintando primeiro os pormenores e depois o fundo, a imagem toma forma. Durante o processo, o autor só pode ver a pintura se der a volta e for ao outro lado, à face da película que está voltada para a coisa-modelo, pois é desse lado que a pintura se vai dar ver no final ao espectador. O que sucede, então, é que na verdade o autor durante a maior parte do processo só vê as “costas” da pintura. 

Se, por um lado, isto torna necessário o estabelecimento de um grau de rigor na escolha e manutenção do ponto de vista e de outras variantes do pintar (para que este processo de pintura “invertida” não desemboque em cegueira inconsequente), por outro lado liberta o autor da pressão de estar sempre a lidar com os seus próprios juízos sobre o que faz. Ou seja, a maior parte do tempo o observador apenas tem, com um único olho aberto, como no perspectógrafo Renascentista, de “copiar” para a película as formas e cores que vê do modelo através da própria película.